A segurança no uso de medicamentos é um dos pilares da assistência hospitalar, especialmente quando se trata de Medicamentos de Alto Risco (MAR) – aqueles que podem causar danos graves caso ocorram erros durante seu uso. Um estudo recente publicado na Farmacia Hospitalaria analisou a implementação de um programa multidisciplinar em um hospital de grande porte, com foco na otimização do manejo seguro desses medicamentos.
Por que os medicamentos de alto risco merecem atenção especial?
De acordo com organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), os erros de medicação estão entre as principais causas evitáveis de danos aos pacientes. No caso dos MAR, a complexidade do processo de prescrição, dispensação e administração torna ainda mais necessário o estabelecimento de práticas específicas de segurança.
O artigo analisado reforça que, apesar da variabilidade dos sistemas de saúde, ações estruturadas podem reduzir falhas e apoiar profissionais na tomada de decisão.
Estrutura do programa analisado
O estudo descreve a criação de um programa abrangente, que envolveu:
- Adaptação de padrões internacionais (OMS, ISMP, Ministério da Saúde da Espanha) para o contexto local.
- Definição clara de responsabilidades entre farmacêuticos, médicos e equipe de enfermagem.
- Desenvolvimento de um protocolo institucional para todas as etapas de uso dos MAR.
- Implementação de ações práticas, como alertas eletrônicos, padronização de concentrações e uso de Tall Man Lettering. – Leia nosso atrigo sobre a RDC nº 768/2022: https://farmaciaupdate.com.br/novas-regras-para-rotulagem-anvisa/
O programa foi dividido em três fases: diagnóstico inicial, elaboração do protocolo e execução do plano de ação.
Principais resultados observados
Após um ano, o hospital registrou avanços expressivos:
- 71,5% dos MAR passaram a ser armazenados em compartimentos de alta segurança.
- 71,36% das prescrições de MAR foram validadas em até 24 horas.
- 4.366 intervenções farmacêuticas foram realizadas no período.
- Implementação de alertas de dose máxima, dupla checagem independente e identificação padronizada nos sistemas informatizados.
Esses resultados indicam maior rastreabilidade, padronização e redução do risco de erro em etapas críticas.
Impactos e desafios apontados pelo estudo
O programa destacou a importância da colaboração entre as equipes e da integração com os sistemas tecnológicos do hospital. Entretanto, algumas limitações foram mencionadas, como:
- Necessidade de atualizações periódicas dos protocolos.
- Possibilidade de melhorias em itens como restrição de certos medicamentos nas unidades.
- Desafios comuns em hospitais grandes, como alinhar processos entre diferentes áreas.
O artigo também defende a criação de um painel nacional padronizado de indicadores, permitindo comparar resultados entre instituições e ampliar boas práticas.
Conclusão
O estudo mostra que programas estruturados e interdisciplinares podem fortalecer significativamente a segurança no uso de medicamentos de alto risco. Embora cada instituição possua características próprias, as medidas descritas oferecem um modelo aplicável e potencialmente replicável em diferentes serviços hospitalares.
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Acesse o artigo completo da Farmacia Hospitalaria: https://www.revistafarmaciahospitalaria.es/es-high-risk-medicines-multidisciplinary-program-articulo-S1130634325000686



