A revista científica Farmacia Hospitalaria publicou, em 2025, uma revisão dos 50 anos da introdução da N-acetilcisteína (NAC) como tratamento-padrão da intoxicação por paracetamol. O texto descreve o desenvolvimento histórico do antídoto, as bases fisiopatológicas da intoxicação, os protocolos de administração e os desafios clínicos atuais.
Como se desenvolveu o uso da NAC?
De acordo com o artigo, a toxicidade hepática do paracetamol começou a ser documentada em 1966, levando à busca por antídotos eficazes. A NAC foi introduzida em 1974 e rapidamente se consolidou como o principal tratamento para intoxicação, devido à sua capacidade de repor glutationa e neutralizar o metabólito tóxico NAPQI.
O artigo também relembra o papel do nomograma de Rumack-Matthew, desenvolvido em 1975, que continua sendo uma ferramenta amplamente usada para avaliar o risco de hepatotoxicidade com base na concentração plasmática de paracetamol e no tempo da ingestão.
Protocolos clínicos descritos na publicação
A revisão traz os principais esquemas de administração da NAC, incluindo alternativas mais recentes à tradicional “pauta de três bolsas”:
- SNAP (Scottish and Newcastle Acetylcysteine Protocol) – 300 mg/kg em 12 horas, com duas infusões consecutivas.
- Two Bags – 200 mg/kg em 4 horas, seguidos de 100 mg/kg em 16 horas.
Ambos os protocolos são citados na publicação como estratégias que mantêm eficácia terapêutica e, ao mesmo tempo, apresentam menor taxa de efeitos adversos, como reações anafilactoides.
Efeitos adversos e condutas clínicas
Segundo o artigo, as reações anafilactoides são as mais comumente relatadas e tendem a ocorrer na primeira infusão da NAC. O manejo indicado envolve pausa da infusão, administração de anti-histamínicos e retomada do tratamento em velocidade reduzida.
A publicação ressalta que a NAC, apesar da sua segurança, ainda exige vigilância clínica, especialmente em pacientes com histórico alérgico ou em intoxicações graves.
Desafios atuais destacados
A Farmacia Hospitalaria destaca que, mesmo após 50 anos de uso consolidado, a NAC ainda apresenta desafios clínicos, como:
- Estratégias para intoxicações escalonadas ou com múltiplas doses
- Efetividade em apresentações tardias
- Ajustes de protocolo conforme o perfil do paciente
Esses aspectos apontam para a necessidade de mais estudos sobre personalização terapêutica e monitoramento clínico.
Conclusão
A publicação revisada reforça que a NAC permanece como o tratamento de escolha para intoxicações por paracetamol, sendo considerada um dos antídotos mais eficazes da toxicologia médica. A sua efetividade depende da identificação precoce da intoxicação e da administração oportuna.
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