A sepse é uma disfunção orgânica grave causada por uma resposta desregulada do organismo a uma infecção. Em sua forma mais crítica, o choque séptico, a pressão arterial cai, o lactato sérico sobe e múltiplos órgãos podem falhar. A mortalidade chega a 40% em casos graves.
Um estudo recente publicado na revista Farmacia Hospitalaria (2025) reforça:
O tempo é determinante. A sobrevida dos pacientes pode ser de 80% quando o tratamento é iniciado na primeira hora, mas cai para menos de 20% se houver atraso superior a 12 horas.
Como diagnosticar rapidamente?
Desde 2016, o diagnóstico de sepse se baseia no escore SOFA ≥ 2, indicando disfunção orgânica. Para triagem inicial, usa-se o qSOFA, que considera:
- Pressão arterial sistólica < 100 mmHg
- Frequência respiratória > 22 irpm
- Alteração no nível de consciência
O lactato sérico ≥ 36 mg/dL é um marcador crítico para identificar hipoperfusão tecidual e risco aumentado de morte.
Farmacoterapia: o que o protocolo exige?
Segundo a Surviving Sepsis Campaign, o manejo da sepse envolve três pilares principais:
1. Antibioticoterapia imediata
- Deve ser intravenosa e de amplo espectro, preferencialmente na primeira hora.
- Após 24–48h, a terapia deve ser revisada com base em resultados de culturas, disfunção orgânica e função renal/hepática.
- Pacientes com risco de patógenos multirresistentes exigem cobertura mais agressiva desde o início.
2. Reposição volêmica
- Cristaloides (30 mL/kg) são indicados nas primeiras 3 horas.
- O objetivo é restaurar a perfusão sem provocar sobrecarga hídrica.
3. Uso de vasopressores
- A noradrenalina é o vasopressor de escolha para manter a PAM ≥ 65 mmHg.
- Vasopressina pode ser adicionada em casos refratários.
- A administração por acesso central é preferencial, mas pode-se usar periférico com monitoramento rigoroso em situações emergenciais.
O papel do farmacêutico hospitalar
O estudo destaca que a atuação do farmacêutico clínico é fundamental no atendimento ao paciente séptico. Ele é responsável por:
- Validar prescrição de antimicrobianos e ajustar doses por função renal/hepática.
- Monitorar interações medicamentosas entre antibióticos, vasopressores, corticoides e sedativos.
- Sugerir prolongamento da infusão de β-lactâmicos em infecções graves.
- Acompanhar efeitos adversos de terapias adjuvantes, como hiperglicemia induzida por corticoides.
- Suportar decisões da equipe em tempo real, com base em protocolos e farmacocinética.
Medidas da primeira hora: checklist rápido para farmácia clínica
✓ Medir lactato
✓ Coletar hemoculturas
✓ Iniciar antibióticos EV
✓ Administrar 30 mL/kg de cristaloides se hipotensão ou lactato ≥ 36 mg/dL
✓ Iniciar vasopressores se necessário
Esse conjunto de ações salva vidas — e o farmacêutico pode ser o ponto de equilíbrio entre a urgência clínica e a segurança medicamentosa.
Conclusão
Sepse é uma emergência tempo-dependente que exige ação rápida, integrada e tecnicamente precisa. O farmacêutico clínico é peça estratégica nesse cenário, otimizando a farmacoterapia, minimizando riscos e contribuindo para decisões que literalmente fazem a diferença entre a vida e a morte.
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Acesse o artigo original na Farmacia Hospitalaria: https://www.revistafarmaciahospitalaria.es/es-sepsis-shock-septico-avance-S1130634325000741



