A revista Farmacia Hospitalaria publicou em 2025 um guia que reúne as principais recomendações sobre o manejo de medicamentos crônicos no período perioperatório, com base em revisão da literatura e consenso de especialistas da Espanha. O objetivo central é fornecer segurança e consistência nas decisões clínicas sobre quais medicamentos devem ser suspensos, mantidos ou reintroduzidos durante o cuidado cirúrgico.
Por que esse tema importa?
Segundo os autores, mais de 50% dos pacientes que passam por cirurgias utilizam medicação crônica. O uso ou interrupção inadequada desses medicamentos pode levar a complicações, como interações com anestésicos, agravamento da condição clínica e até cancelamento da cirurgia. O artigo menciona, por exemplo, que 2,4% das cirurgias podem ser canceladas devido ao manejo incorreto de medicamentos como anticoagulantes e antiagregantes.
Estrutura e metodologia da revisão
O guia foi desenvolvido por um grupo multidisciplinar com 10 farmacêuticos hospitalares experientes. A revisão abrangeu estudos publicados entre 2015 e 2024, além de bases de dados como UpToDate®, Micromedex®, Medline e Cochrane Library. Foram selecionadas 18 referências principais (entre guias de prática clínica, consensos e artigos de revisão), resultando em recomendações práticas organizadas por grupos terapêuticos, inclusive terapias biológicas e fitoterápicas.
Principais achados
O artigo relata que:
- 64,47% dos fármacos crônicos podem ser mantidos até o dia da cirurgia.
- Em casos de imunossupressores, recomenda-se a suspensão prévia com base na meia-vida do fármaco e no risco infeccioso da cirurgia.
- Fitoterápicos e suplementos naturais devem ser suspensos 1 a 2 semanas antes da cirurgia, devido ao risco de interações ou sangramento.
As recomendações também consideram fatores como:
- Tipo de cirurgia (risco baixo, médio ou alto);
- Comorbidades do paciente (idade, fragilidade, risco trombótico);
- Via de administração disponível no pós-operatório.
O papel do farmacêutico hospitalar
De acordo com os autores, o farmacêutico clínico é fundamental nesse processo. Entre as atividades destacadas estão:
- Conciliação medicamentosa pré-operatória;
- Validação de prescrições;
- Participação em decisões sobre ajuste, suspensão ou manutenção de tratamentos;
- Educação do paciente quanto à continuidade ou interrupção da medicação.
Considerações e limitações
Os autores apontam que, apesar do esforço de padronização, muitas recomendações ainda se baseiam em consensos e extrapolações clínicas devido à escassez de ensaios clínicos randomizados específicos. Assim, as decisões devem ser sempre individualizadas, com base na condição clínica do paciente, tipo de cirurgia e riscos associados.
Conclusão
Este guia oferece um recurso valioso para profissionais da saúde que atuam no cuidado perioperatório, especialmente farmacêuticos hospitalares. Ao reunir evidências e consensos em um formato prático e atualizado, contribui diretamente para a segurança do paciente cirúrgico e para a integração efetiva da farmácia clínica no centro da decisão terapêutica.
Consulte o artigo completo da Farmacia Hospitalaria neste link: https://www.revistafarmaciahospitalaria.es/es-guia-el-manejo-perioperatorio-medicacion-avance-S1130634325001072



