Cuidar de crianças em estágio terminal é uma das tarefas mais sensíveis da medicina. Diante do sofrimento de um paciente pediátrico, profissionais de saúde, famílias e instituições enfrentam dilemas éticos importantes — especialmente em relação ao manejo da dor.
Uma revisão sistemática publicada na Farmacia Hospitalaria (2025) analisou 18 estudos internacionais sobre o tema, focando na aplicação prática dos quatro pilares da bioética clínica: autonomia, beneficência, não maleficência e justiça. Os achados trazem lições fundamentais para farmacêuticos hospitalares e equipes multiprofissionais.
Autonomia: onde está a voz da criança?
Em geral, as decisões sobre tratamento são tomadas por pais ou responsáveis. A participação direta das crianças nas escolhas clínicas é rara, mesmo em situações em que elas têm maturidade para compreender sua condição. A revisão identificou também uma carência na formação dos profissionais para conduzir decisões compartilhadas e conversas delicadas.
Beneficência e não maleficência: aliviar sem causar dano
Profissionais relatam receio no uso de opioides e sedação profunda por medo de acelerar a morte ou provocar efeitos adversos. Essa preocupação leva, em muitos casos, à subutilização de analgésicos e à permanência de tratamentos pouco eficazes, o que intensifica o sofrimento do paciente e contraria os princípios de cuidado.
Justiça: desigualdades que doem
Falta de acesso a opioides, barreiras culturais e escassez de equipes especializadas são obstáculos frequentes. A revisão destaca que países com menos recursos enfrentam maiores desafios para oferecer alívio adequado da dor, comprometendo a equidade do cuidado.
E o papel do farmacêutico?
O farmacêutico hospitalar tem papel estratégico:
- Garantir acesso a medicamentos analgésicos adequados;
- Participar de protocolos clínicos e decisões interdisciplinares;
- Promover o uso seguro e racional de opioides;
- Educar equipes e famílias sobre os riscos e benefícios de cada intervenção.
Conclusão
O manejo da dor em pacientes pediátricos em fase terminal exige mais do que conhecimento técnico – exige sensibilidade ética. Incorporar princípios bioéticos, com destaque para a justiça e a escuta ativa das famílias, é essencial para promover um cuidado digno e centrado na criança.
Acesse a revisão completa da Farmacia Hospitalaria através do link:
https://www.revistafarmaciahospitalaria.es/es-abordaje-etico-del-manejo-del-avance-S113063432500114X



