A segurança medicamentosa em unidades de terapia intensiva (UTIs) é um desafio constante. Pacientes críticos estão mais vulneráveis a erros de medicação devido à complexidade dos tratamentos, variações farmacocinéticas e necessidade de múltiplas intervenções clínicas. Um estudo publicado no Journal of Hospital Pharmacy and Health Services analisou a atuação farmacêutica em uma UTI adulta de hospital universitário no sul do Brasil, comparando dois períodos: o início da implementação do cuidado farmacêutico (2019–2020) e cinco anos depois (2024).
O que o estudo investigou?
A pesquisa teve como objetivo analisar a evolução dos problemas relacionados a medicamentos (PRMs) identificados por farmacêuticos clínicos ao longo de cinco anos. Foram avaliados:
- O número e o tipo de PRMs;
- As intervenções realizadas;
- A aceitação dessas intervenções pela equipe multiprofissional.
Resultados em destaque
Aumento na identificação de PRMs
Houve crescimento de 239,5 para 425,6 PRMs a cada 1000 pacientes-dia entre os dois períodos. Esse aumento foi atribuído à maior sensibilidade dos profissionais e à maturidade do serviço, e não necessariamente a uma piora na segurança.
Predomínio de problemas potenciais
Em 2024, 89,2% dos PRMs foram identificados antes de causarem danos aos pacientes — um indicativo de maior atuação preventiva.
Tipos de problemas mais comuns
- Efetividade do tratamento, farmacoterapia desnecessária e duração prolongada da terapêutica foram os principais domínios envolvidos.
- A seleção do medicamento foi a causa mais frequente dos PRMs nos dois períodos analisados.
Medicamentos mais envolvidos
Antimicrobianos como meropenem, piperacilina+tazobactam e vancomicina apareceram com destaque, além de omeprazol e heparina.
Alta taxa de aceitação das intervenções
As intervenções farmacêuticas foram bem recebidas pela equipe: 92,3% no primeiro período e 97,0% no segundo.
Qual o papel do farmacêutico clínico?
A atuação do farmacêutico na UTI foi além da simples revisão de prescrições. O profissional contribuiu para:
- Prevenção de efeitos adversos;
- Ajustes de dose conforme a função renal e hepática dos pacientes;
- Implementação de protocolos clínicos (como para uso de vancomicina e profilaxia de úlcera por estresse);
- Participação em decisões terapêuticas em conjunto com a equipe assistencial.
Conclusão
O estudo reforça que o cuidado farmacêutico sistematizado e presente na rotina da UTI pode contribuir para a prevenção de problemas relacionados a medicamentos e para a otimização da farmacoterapia. Ainda que o delineamento do estudo não permita estabelecer relações de causalidade, os achados evidenciam avanços na prática clínica e destacam a relevância de serviços clínicos farmacêuticos bem estruturados.
Acesse o artigo completo aqui: https://jhphs.org/sbrafh/article/view/1295



