O que é o SMART-CAZ/AVI?
Ceftazidima/avibactam (CAZ/AVI) é um antibiótico cada vez mais utilizado no tratamento de infecções por bactérias Gram-negativas multirresistentes. Seu uso, no entanto, exige atenção especial para evitar erros de dose, administração inadequada e terapias prolongadas sem indicação formal.
Para enfrentar esses desafios, um grupo de farmacêuticos desenvolveu o SMART-CAZ/AVI, um algoritmo clínico que orienta a conduta farmacêutica desde a prescrição até a revisão periódica do tratamento.
Como funciona o algoritmo?
O SMART-CAZ/AVI segue a estrutura do modelo SMART (Stewardship & Monitoring Algorithm for Rational Therapy) e é dividido em três etapas principais:
1. Avaliação farmacêutica inicial
A primeira etapa envolve a checagem da indicação, da dose ajustada conforme função renal, do preparo e da via de administração.
2. Revisão microbiológica
Nesta fase, o farmacêutico avalia os resultados de cultura, perfil de sensibilidade e presença de infecções por organismos produtores de KPC, OXA-48, entre outros.
3. Time-out
A cada três dias, o caso é reavaliado para verificar se há justificativa para manter a antibioticoterapia. A abordagem permite decisões mais seguras e evita tratamentos prolongados desnecessários.
Resultados do estudo
O algoritmo foi testado entre 2023 e 2024 em um hospital privado do Rio de Janeiro. Os principais resultados observados:
- 93 time-outs realizados
- 23 intervenções farmacêuticas
- Redução de 55% nas sobredoses por falha na estimativa da função renal
- Eliminação de erros de aprazamento
- Aumento de 300% no uso prolongado sem justificativa e 108% no uso sem indicação formal, indicando necessidade de maior engajamento da equipe médica.
Por que esse algoritmo é relevante?
O uso racional de antimicrobianos é uma das maiores preocupações da saúde pública. Ferramentas como o SMART-CAZ/AVI:
- Padronizam o raciocínio clínico do farmacêutico
- Promovem maior segurança para o paciente
- Apoiam a tomada de decisão baseada em evidências
- Estimulam a interdisciplinaridade nas UTIs
Conclusão
Mesmo com desafios na adesão por parte da equipe médica, o estudo reforça que a atuação do farmacêutico clínico com protocolos estruturados pode fazer a diferença no uso seguro de antimicrobianos complexos.
A utilização do SMART-CAZ/AVI é um exemplo concreto de como o raciocínio farmacêutico pode ser sistematizado, contribuindo para a segurança do paciente e para a efetividade dos tratamentos hospitalares.
Acesse o artigo no link: https://jhphs.org/sbrafh/article/view/1286



