Estudo recente reúne evidências e recomendações para o uso seguro da noradrenalina por via periférica em diferentes contextos clínicos.
A administração segura de noradrenalina (NA) é uma etapa essencial no manejo de pacientes com instabilidade hemodinâmica. Tradicionalmente, esse vasopressor era administrado exclusivamente por via central devido ao risco de extravasamento e necrose tecidual. No entanto, avanços recentes têm mostrado que a administração de NA por via periférica pode ser segura, eficaz e vantajosa em determinados contextos clínicos, como demonstrado na revisão sistemática publicada pela revista Farmacia Hospitalaria.
Administração por via periférica: uma alternativa viável e segura
A prática da administração por via periférica de noradrenalina tem ganhado espaço principalmente em cenários onde o tempo é um fator crítico, como no atendimento de urgência e em medicina perioperatória. O estudo “Administración segura de noradrenalina por vía periférica: una revisión sistemática”, publicado em 2023, compilou evidências de 83 estudos selecionados em bases como PubMed, Web of Science e SCOPUS. A conclusão é clara: embora existam riscos, eles podem ser minimizados com boas práticas e protocolos institucionais.
O que diz a revisão sistemática?
O estudo, que seguiu os critérios PRISMA, destaca que a administração segura de noradrenalina por via periférica depende da padronização de concentração, duração da infusão e escolha adequada do acesso venoso. O risco de extravasamento, uma das principais preocupações, foi considerado baixo, especialmente em ambientes com monitoramento contínuo e equipes treinadas.
Destaques da revisão sistemática:
- Risco baixo de extravasamento: estudos em contextos cirúrgicos mostraram incidência entre 1 e 8 casos por 10.000 pacientes, todos de baixa gravidade.
- Uso em pediatria: a administração periférica também se mostrou segura em crianças, inclusive por via intraóssea.
- Segurança perioperatória: pacientes em monitoramento contínuo apresentaram menor taxa de complicações, reforçando a importância da “hipervigilância”.
- Fatores de risco: doenças vasculares, diabetes, idade extrema e concentração elevada do fármaco aumentam o risco de eventos adversos.
Como garantir a administração segura de noradrenalina por via periférica?
A administração segura de noradrenalina por via periférica exige atenção a alguns fatores críticos, começando pela escolha do acesso venoso. O ideal é utilizar cateteres de grosso calibre (acima de 20G), inseridos em veias proximais como a fossa antecubital, evitando áreas de flexão ou extremidades distais, que aumentam o risco de extravasamento. A monitorização da via periférica deve ser rigorosa, preferencialmente a cada hora, para identificação precoce de qualquer sinal de complicação.
Outro ponto essencial é a padronização das concentrações de noradrenalina. Para infusões periféricas, recomenda-se o uso de concentrações mais baixas, entre 16 e 32 μg/mL, sempre diluídas em solução salina 0,9%. Além disso, é importante limitar a duração da infusão, uma vez que a maioria dos extravasamentos ocorre após seis horas de uso contínuo. A administração periférica deve ser tratada como uma solução temporária até que um acesso central possa ser estabelecido com segurança.
Por fim, a adoção de protocolos institucionais e o treinamento da equipe de saúde são medidas fundamentais para garantir a segurança do paciente. Protocolos bem definidos orientam desde a seleção do acesso até o manejo de possíveis extravasamentos, incluindo o uso de antídotos como a fentolamina. Com práticas padronizadas e vigilância ativa, é possível utilizar a via periférica de forma eficaz e com baixos índices de complicações.
Em que este estudo contribui?
Como primeira revisão sistemática focada na administração de NA por via periférica, este estudo se torna uma referência essencial para farmacêuticos, médicos e gestores de saúde. Ele mostra que, com os cuidados adequados, é possível administrar noradrenalina de forma segura sem depender exclusivamente de acessos centrais.
A pesquisa também reforça a necessidade de mais estudos prospectivos multicêntricos, especialmente em contextos pediátricos e unidades de emergência, para aprimorar as diretrizes clínicas existentes.
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Acesse o artigo do estudo neste link: https://www.revistafarmaciahospitalaria.es/es-administracion-segura-noradrenalina-por-via-articulo-S1130634324000539



