A maioria dos hospitais conta com farmacêuticos capacitados, mas em muitos casos o envolvimento direto desses profissionais em situações de extravasamento de medicamentos não citotóxicos ainda é limitado ou inexistente. Um estudo publicado na Farmacia Hospitalaria investigou como os farmacêuticos hospitalares da Espanha atuam nesses eventos — e os resultados acendem um alerta importante.
O que o estudo avaliou?
Trata-se de uma pesquisa nacional conduzida pela Sociedade Espanhola de Farmácia Hospitalar (SEFH), com 89 hospitais participantes em 14 comunidades autônomas. O foco foi compreender:
- A existência (ou não) de protocolos formais para extravasamentos não citotóxicos
- A participação do farmacêutico em sua elaboração e execução
- A gestão clínica dos casos e o uso de antídotos
- O registro documental das intervenções farmacêuticas
Resultados que preocupam
- Apenas 13,5 % dos hospitais tinham protocolo específico para extravasamento de medicamentos não citotóxicos.
- Mesmo assim, quando o protocolo existe, 91,7 % contam com participação do farmacêutico em sua elaboração.
- Somente 9 % dos farmacêuticos participam da avaliação clínica dos casos.
- Em 23,6 % dos hospitais, o farmacêutico nunca é consultado nesses eventos.
- O registro da intervenção no prontuário médico só ocorre em 9 % dos centros.
Além disso, ainda que 88,8 % dos serviços de farmácia possuam antídotos, como hialuronidase (83 %) e fentolamina (30 %), em muitas unidades clínicas esses medicamentos não estão fisicamente acessíveis — o que pode atrasar intervenções críticas.
Por que isso importa?
Extravasamentos de medicamentos não citotóxicos são menos discutidos que os de quimioterápicos, mas podem causar necrose, lesões graves e piora do quadro clínico. Vasoconstritores, agentes hiperosmolares, e antibióticos irritantes são alguns exemplos de fármacos com alto potencial de dano local. A ausência de protocolos formais e a falta de envolvimento clínico do farmacêutico representam um risco para a segurança do paciente — especialmente considerando que a maior parte desses eventos acontece em ambientes de alta rotatividade, como pronto-socorros e UTIs.
Recomendações do estudo
O artigo propõe caminhos para fortalecer o papel do farmacêutico hospitalar:
- Desenvolver uma diretriz nacional sobre extravasamento de fármacos não citotóxicos, com base em evidências e consenso interdisciplinar.
- Ampliar o acesso a antídotos nas áreas clínicas, não apenas na farmácia central.
- Incentivar a consultoria clínica ativa do farmacêutico em casos de extravasamento.
- Estimular o registro sistemático das intervenções farmacêuticas nos prontuários, para fortalecer a rastreabilidade e apoiar decisões clínicas futuras.
Como sua instituição pode evoluir?
Se sua equipe ainda não possui protocolos específicos ou se o farmacêutico é acionado apenas de forma reativa, este é o momento ideal para rever processos. A atuação precoce e estruturada do farmacêutico hospitalar pode evitar agravamentos, orientar o uso de antídotos e apoiar treinamentos para a equipe assistencial.
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Acesse o artigo completo no site da Farmacia Hospitalaria: https://www.revistafarmaciahospitalaria.es/es-extravasaciones-farmacos-no-citotoxicos-encuesta-avance-S1130634325001011



