Saiba como a redução da reembalagem hospitalar e o fracionamento de medicamentos em hospitais ajudam a promover a sustentabilidade na farmácia hospitalar.
A reembalagem de medicamentos hospitalares consiste no processo de retirar o medicamento da embalagem original e transferi-lo para uma nova embalagem, geralmente em apresentações menores, como as doses unitárias. Essa prática é adotada para facilitar a administração no ambiente hospitalar e garantir a individualização do tratamento. Apesar de necessária em muitos casos, a reembalagem gera consumo adicional de materiais, aumento de resíduos e demanda mais tempo da equipe.
Com a crescente busca por práticas sustentáveis na saúde, hospitais e farmácias começaram a adotar medidas para a redução do reenvasamento hospitalar. Além disso, o fracionamento de medicamentos em hospitais, quando realizado de forma estratégica e com apoio de tecnologia, contribui para minimizar desperdícios e reforçar o compromisso com a sustentabilidade na farmácia hospitalar.
Um exemplo prático de como reduzir esses impactos está descrito no artigo “Reducción del reenvasado innecesario como medida de sostenibilidad ambiental”, publicado na revista Farmacia Hospitalaria. O estudo apresenta um projeto implementado em 15 hospitais públicos de uma comunidade autônoma da Espanha, cujo objetivo principal foi substituir medicamentos reenvasados por apresentações em dose unitária, visando reduzir o impacto ambiental, econômico e operacional do reenvasamento.
O impacto ambiental e operacional da reembalagem de medicamentos hospitalares
Os impactos da reembalagem de medicamentos hospitalares vão além do uso de materiais. Cada processo de reenvasamento consome tempo da equipe, gera resíduos plásticos e papel e pode estar associado ao risco de erros durante a manipulação. A redução do reenvasamento hospitalar permite economizar insumos, reduzir custos e liberar profissionais para outras atividades estratégicas.
O fracionamento de medicamentos em hospitais, quando aliado a compras mais planejadas (priorizando apresentações em dose unitária, por exemplo), diminui a necessidade de reembalagem. Isso reforça o compromisso com a sustentabilidade na farmácia hospitalar, ao mesmo tempo em que contribui para maior segurança do paciente e rastreabilidade dos medicamentos.
Resultados do estudo que inspiram boas práticas
Os resultados do projeto espanhol mostram como medidas simples podem gerar benefícios significativos:
- Redução de reenvasamento hospitalar: Os 15 hospitais monitorados evitaram o reenvasamento de 1,27 milhão de comprimidos por ano.
- Economia de recursos: Foi notada uma economia de 170 km de material, 866 kg de peso e 113.693 minutos de trabalho, além de uma redução de custos de 36.274 euros anuais.
- Impacto potencial ampliado: Caso o modelo fosse aplicado em 172 hospitais solicitantes, o impacto seria de 16,67 milhões de comprimidos não reenvasados por ano, gerando uma economia de 24.723 horas de trabalho e 451.768 euros anuais.
O estudo mostrou que o uso de medicamentos já prontos em dose única ajudou a economizar materiais, tempo da equipe e dinheiro. A iniciativa funcionou bem em diferentes hospitais e pode ser aplicada em outras instituições de forma simples. O principal desafio identificado foi a dificuldade de encontrar no mercado esse tipo de medicamento em quantidade suficiente. Por isso, os autores do estudo sugerem que hospitais priorizem a compra dessas versões e que a indústria invista mais na produção de medicamentos em dose unitária.
Como a sustentabilidade na farmácia hospitalar se fortalece com pequenas mudanças
O caminho para a sustentabilidade na farmácia hospitalar começa com pequenas mudanças que, somadas, geram grande impacto. Ao repensar a reembalagem de medicamentos hospitalares e adotar estratégias para a redução do reenvasamento hospitalar, é possível diminuir significativamente a geração de resíduos e os custos operacionais. As farmácias hospitalares brasileiras podem adotar práticas similares para reduzir a reembalagem de medicamentos hospitalares, como:
- Priorizar a aquisição de medicamentos em dose unitária, sempre que possível.
- Reavaliar processos internos de dispensação para otimizar o uso de materiais.
- Investir em tecnologia e automação para reduzir falhas e acelerar processos.
- Promover a conscientização da equipe sobre a importância da sustentabilidade na farmácia hospitalar
Além disso, o fracionamento de medicamentos em hospitais precisa ser planejado com foco em segurança e eficiência, evitando processos manuais desnecessários e desperdício de material. Essa abordagem reforça o papel das farmácias hospitalares como protagonistas na sustentabilidade do setor da saúde.
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Comentário (01)
O que mais me chamou atenção foram os dados sobre economia de material, tempo e custos, aliados a boas práticas de ESG. Que mais hospitais se inspirem nesse modelo, substituindo medicamentos reenvasados por apresentações em doses unitárias!